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Ejercicio Protesta 1 - Rojo, de Liuska Salazar. Foto: Pamela Navarro

25 obras para ver online na Bienal 12

Selecionamos obras de 25 artistas que podem ser acessadas na plataforma da exposição

por Ricardo Romanoff

Com atividades presenciais suspensas, a Bienal de Artes Visuais do Mercosul tem utilizado seus canais digitais para compartilhar conteúdos relacionados à 12ª edição da mostra. Hoje (14/5), por exemplo, às 19h, o presidente da Fundação Bienal do Mercosul, Gilberto Schwartsmann, e a curadora geral da exposição, Andrea Giunta, farão uma live sobre as perspectivas da Bienal 12 diante da pandemia – que adiou a abertura física do evento, antes previsto para começar em abril.

Além de acompanhar as redes sociais e transmissões da mostra, é possível visitar o site da Bienal 12 para conhecer os artistas participantes, obras e propostas pedagógicas. Com o título Feminino(s). Visualidades, ações e afetos, a Bienal exibirá trabalhos de 70 artistas “mulheres e de todas as sensibilidades não binárias, fluidas, não normativas. Sobretudo aquelas que se expressam em sua oposição às mais diversas formas da violência”, afirma Giunta no texto curatorial.

Para ajudar você a navegar nesse mar de informações, selecionamos os links de 25 artistas com trabalhos em vídeo, fotografia, pintura e desenho, incluindo registros de performances, que podem ser acessados na plataforma da exposição – apenas uma amostra de todo o conteúdo disponível, que segue sendo atualizado pela equipe da Bienal 12. Nossa seleção prioriza obras que podem ser bem apreciadas no meio digital, em detrimento de trabalhos em suportes como esculturas e instalações, cuja fruição plena depende muito da visita ao espaço expositivo.

Clique nos links para visitar as páginas dos artistas e das obras no site da Bienal 12.

1. Protagonismo negro

Priscila Rezende (Belo Horizonte, 1985) apresenta o vídeo da performance Bombril, em versão realizada na rua dos Andradas, no Centro de Porto Alegre. Rezende reivindica protagonismo ao se apropriar do nome da marca de esponjas de aço – usado de forma pejorativa para se referir ao cabelo de pessoas negras – e utilizar o próprio cabelo para lavar louças num espaço público.

2. Cuidado e tradição

Falando em cabelo, o artista Helô Sanvoy (Goiânia, 1985) aborda o cuidado capilar como momento de troca entre familiares negros no Brasil. No vídeo Estão Sendo Tecidos, a mãe de Sanvoy trança o cabelo do artista enquanto conversa com ele e sua esposa sobre as dificuldades da vida no interior de Goiás e sobre costumes da família.

3. Dança para reivindicar territórios

No vídeo Danço na Terra em que Piso, Renata Felinto (São Paulo, 1978) faz movimentos com o corpo em sete locais da cidade de São Paulo, reivindicando territórios com a sua presença. A escolha dos lugares e das músicas que acompanham seus passos leva em conta questões históricas e políticas, bem como experiências da artista na metrópole.

4. Subversão de cânones

Figura-chave da arte afro-brasileira, Rosana Paulino (São Paulo, 1967) participa da Bienal 12 com obras como A Geometria à Brasileira Chega ao Paraíso Tropical. O trabalho tece um comentário irônico sobre a notoriedade internacional das obras abstratas da arte brasileira.

5. Pieter Bruegel revisitado

E ainda sobre cânones, o duo Carole Condé e Karl Beveridge (Hamilton / Ottawa, Canadá, 1940 / 1945) faz uma releitura de A Queda dos Anjos Rebeldes (1562), de Pieter Bruegel, o Velho – clique aqui para ver a pintura original. A fotocolagem Fall of Water [Queda da Água] apresenta uma alegoria dos conflitos entre defensores do direito à água e quem explora o uso desse recurso natural.

6. Cotidiano indígena

As fotografias de Maruch Santíz Gomez (Cruztón, San Juan Chamula, México, 1975) resultam de um contato inicial com câmeras, filmes e materiais de laboratório que a artista teve em sua comunidade aos 17 anos. Desde então ela fotografa objetos, pessoas e a natureza no seu entorno, como em Pollo [Galinha], em imagens associadas a relatos escritos em tzotzil, sua língua materna.

7. Democracia coreografada

Em Impossible Opera [Ópera Impossível], a artista polonesa Zorka Wollny (Cracóvia, Polônia, 1980) apresenta uma performance com inspiração teatral. Cidadãos de uma comunidade alemã se misturam com atores, músicos e dançarinos profissionais para realizar coreografias, emitir sons não verbais e entoar a frase “This is what democracy looks like” [A democracia se parece com isto].

8. Caos e militarismo 

Quem também aborda questões em torno de sistemas políticos é Kan Xuan (Anhui, China, 1972). O vídeo One by One [Um por Um] explora tensões de sociedades militarizadas, alternando captações aceleradas com imagens em plano fechado de fardas.

9. Interior e exterior

A videoinstalação Óculo, de Marcela Astorga (Mendoza, Argentina, 1965), apresenta feixes de luz como elemento narrativo. Furos no teto de um espaço escuro rompem uma estrutura arquitetônica, aludindo a novas possibilidades de percepção e conectando interior e exterior.

10. Escrita da finitude

Em Abecedario [Abecedário], o escritor e artista visual Pedro Lemebel (Santiago, Chile, 1952 – 2015) usa um material inflamável para desenhar e queimar letras, escritas numa passarela de pedestres que leva ao cemitério onde sua mãe está enterrada. A reflexão ritualística sobre a finitude também se relaciona com a existência do próprio artista: o trabalho foi realizado em 2014, quando Lemebel já enfrentava um câncer que lhe tiraria a vida no ano seguinte.

11. Apagamentos

Gladys Kalichini (Chingola, Zâmbia, 1978) participa da Bienal 12 com o vídeo Burial: Erasing Erasure [Sepultamento: Apagando o Apagamento]. A artista encena um ritual de sepultamento de seu país, no qual pessoas enlutadas são cobertas por um pó branco. A obra de Kalichini discute temas como a história colonial e a marginalização de narrativas de mulheres na África.

12. Reflexos e olhares

O vídeo da performance El Reflejo [O Reflexo], de Janet Toro (Osorno, Chile, 1963), coloca um grupo de imigrantes segurando espelhos no entorno do Museu da Memória e dos Direitos Humanos, em Santiago, capital chilena. Ao mesmo tempo em que chamam a atenção para a sua presença, os imigrantes devolvem a mirada dos transeuntes, em uma reflexão sobre o olhar que dirigimos para o outro.

13. Exercícios de protesto

Liuska Astete Salazar (Santiago, Chile, 1984) apresenta “exercícios de protesto” realizados em 2010, nos quais a artista se coloca nua diante de prédios públicos chilenos e cobre seu corpo com tinta de diferentes cores. A performance questiona padrões de beleza e aparatos repressivos representados pela Justiça, pela Igreja e pela educação formal.

14. Figuras femininas caribenhas

O trabalho de Gwladys Gambie (Martinica, 1988) aborda as representações de mulheres negras caribenhas. Desenhos em nanquim e colagens apresentam o imaginário da artista em relação à paisagem da região do Caribe e modos decoloniais de representar os corpos femininos.

15. Paisagens subjetivas

As pinturas da série Jardim, de Lucia Laguna (Campo dos Goytacazes, Rio de Janeiro, 1941), refletem sobre o conceito de paisagem como o que se vê da janela da artista – no caso, o morro da Mangueira, no Rio de Janeiro – e no interior de seu ateliê. Cores e formas se combinam de modo fragmentado e caótico, evidenciando o entendimento da artista de que “paisagem é coisa da minha cabeça”.

16. Feminicídio em evidência

Em 2009, Elina Chauvet (Casa Grandes, México, 1959) perdeu sua irmã, morta pelo marido, em Ciudad Juárez, na fronteira do México com os Estados Unidos. O evento trágico e os feminicídios que persistem até hoje no país mobilizaram Chauvet a criar uma performance realizada desde então: em Zapatos Rojos, pares de sapatos pintados de vermelho são espalhados em espaços públicos, representando a ausência de mulheres assassinadas.

17. Identidade e gênero

No vídeo Buscando a Marcela Calfuqueo [Em busca de Marcela Calfuqueo], o artista mapuxe Sebastián Calfuqueo (Quinta Normal, Chile, 1991) aborda questões de gênero a partir de reflexões pessoais e da busca por uma garota que se parece com ele. A obra de Calfuqueo aborda de forma crítica noções de identidade construídas a partir de marcadores de raça, gênero e classe social, abordando preconceitos de forma poética.

18. Rostos, vozes e afetos

Desenvolvido entre 1999 e 2013, o projeto As Mulheres do Mundo, de Vera Chaves Barcellos (Porto Alegre, 1938), reúne falas de mulheres que pronunciam seus nomes diante da câmera. O vídeo cria um repositório de rostos e afetos, estabelecendo diálogos entre vozes de diferentes países.

19. Mulheres com a palavra

Em Palabras de Mujeres [Palavras de Mulheres], Eliana Otta (Lima, Peru, 1981) reúne trechos de poemas escritos pelas escritoras peruanas Montserrat Álvarez e Carmen Ollé, os quais se transformam em discursos de denúncia e empoderamento. O trabalho da artista aborda questões de gênero e classe, além de reivindicações de direito ao espaço público.

20. À tua imagem e semelhança

A performance Discurso Amoroso, realizada por Cláudia Paim (Porto Alegre, 1961 – 2018) em Pelotas, em 2014, apresenta uma fala marcada por apropriações de textos bíblicos. Nas palavras da artista, publicadas em um artigo, “de um lado, o discurso da religião, dispondo dos corpos como imagem e semelhança de um deus, por outro lado, há uma interação, talvez menos evidente, com a relação amorosa: onde muitas vezes ocorre um amalgamento de dois corpos, duas subjetividades”.

21. Epistemologias pretas

Nas séries Psicanálise do Cafuné: Catinga de Mulata e Psicanálise do Cafuné: Sobre Remendos, Afetos e Territórios, Janaina Barros (São Paulo, 1979) aborda questões como: quais são as epistemologias, tradições e modos de aprendizagem específicos das famílias pretas? De que forma pensar sobre afetos em meio a situações de violência?

22. Ficções tropicais

No vídeo Siboney, Joiri Minaya (Nova York, Estados Unidos, 1990) registra uma performance dividida em duas partes. Na primeira, a artista pinta uma estampa tropical na parede de um museu. Na segunda, usa o corpo para borrar a tinta usada na pintura e abordar, entre outros temas, os estereótipos relacionados aos trópicos.

23. Ancestralidades femininas

O site da Bienal 12 apresenta registros da produção poética de Judy Chicago (Chicago, Estados Unidos, 1939). São performances recentes e mais antigas, como Atmosphere, realizada entre 1968 e 1974, nas quais a artista utiliza fogos de artifício e outros elementos para explorar questões relacionadas às ancestralidades femininas.

24. Representatividade em disputa

O coletivo Coco (Montevidéu, Uruguai, 2016), formado por quatro artistas uruguaias (Natalia de León, Lucía Ehrlich, María Mascaró e Catalina Bunge), apresenta Iletradxs. A obra reúne catálogos e revistas de arte com marcações que assinalam a presença desigual de artistas mulheres em cada publicação.

25. Fotomontagens feministas

Aluna da Bauhaus que precisou escapar do nazismo na Europa, migrando para a América Latina, Greta Stern (Wuppertal, Alemanha, 1904 – 1999) realizou cerca de 140 fotomontagens para a revista argentina Idilio,  entre 1948 e 1951. Os trabalhos abordam de forma crítica as representações femininas e os papéis desempenhados pelas mulheres em sociedades patriarcais.