Foto: Cibele Vieira/Divulgação

Do "Queermuseu" às ruas de Nova York

Obra da artista brasileira Cibele Vieira estampa outdoor no bairro nova-iorquino do Queens

Uma fotografia da artista Cibele Vieira, brasileira radicada em Nova York, está sendo exibida em um outdoor na Av. Myrtle, no bairro nova-iorquino do Queens (60-90 Myrtle Avenue). O projeto é promovido pela Save Art Space, uma ONG no ramo das artes, e tem a colaboração da Contra Galleries, onde a obra estará exposta de 19 de abril a 5 de maio.

A imagem exibida pertence à série The Golden Duck e mostra uma cena da trajetória de um objeto na forma de que um pato de plástico dourado navegando no rio Pinheiros –que, ao lado do Tietê, que também circula a cidade de São Paulo, fazem parte da lista dos rios mais poluídos da América Latina, considerado por muitos como esgotos a céu aberto.

Uma das características do projeto da artista é que esse objeto viaja através de diferentes geografias mudando continuamente seu contexto metafórico. Além da óbvia crítica ao descaso ambiental da cidade mais rica do America Latina, que também possui os rios mais poluídos, o trabalho também considera o contexto político em curso no Brasil: a imagem de um pato dourado navegando em uma “mar de lama”, que atravessa o centro financeiro e econômico do país que é a capital paulista.

A imagem encontra um paralelo adicional entre a politica brasileira e aquela dos Estados Unidos, país onde a obra está sendo exibida. A curadoria do projeto é realizada por Carlo McCormick, editor chefe da revista Paper Magazine.

A obra de Cibele Vieira foi incluída em 2017 na Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, mostra que foi encerrada no Santander Cultural pelo próprio banco antes do tempo previsto, por conta de polêmicas envolvendo o conteúdo de algumas obras. A exposição será reaberta em junho, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, depois de uma tri bem sucedida campanha de crowdfunding, que arrecadou R$ 1.081.156,00.