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Foto: Lívia Pasqual/Divulgação

Morre ator gaúcho João França

Importante nome do cinema e teatro gaúcho, o artista vinha enfrentando problemas de saúde nos últimos meses

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por Juliana Prato
 
Morreu nesta quarta (18/3), aos 59 anos, o ator e locutor gaúcho João França. Segundo a esposa do artista, Adriane Azevedo, ele vinha enfrentando complicações de saúde desde o ano passado, e a causa da morte é indeterminada. O sepultamento será nesta quinta (19/3), às 16h, no Cemitério São Miguel e Almas, na Capital.
 
Destacado nome da cena cultural gaúcha, João atuava no teatro e em produções audiovisuais desde os anos 1990, tendo recebido diversos prêmios ao longo de sua carreira. Entre suas participações no cinema, destacam-se Netto Perde Sua Alma (2001), de Tabajara Ruas, e O Tempo e o Vento (2012), de Jayme Monjardim. Ele trabalhou também como locutor publicitário, dublador de games, de desenhos animados e audiodescritor.
 
 João França foi um grande ator e nos brindou com atuações primorosas ao longo de sua carreira. Um companheiro teatral que fará muita falta – afirmou Luciano Alabarse, Secretario Municipal de Cultura de Porto Alegre.
 
O ator Zé Victor Castiel lembrou da generosidade de França:
 
– O João França foi meu companheiro de camarim e palco durante quase uma década no espetáculo O Marido do Dr. Pompeo, onde pela bondade dele, e da Fernanda Carvalho Leite, eu acabei sendo premiado com o Prêmio Açorianos. Um grande companheiro. Eu não conheço ninguém que não gostava do França, nem como pessoa, nem como ator. A perda dele, mesmo sendo uma coisa esperada, destrói o coração da gente.
 
Segundo a atriz Deborah Finocchiaro, que o viu pela primeira vez em cena na Sala Álvaro Moreyra, em um espetáculo de Néstor Monasterio, "João foi um ator incrível do teatro e do cinema, um grande profissional".
 
Lívia Pasqual, diretora de fotografia, comenta do entusiasmo de João pelo cinema, que começava também nas universidades:
 
– Ele participava ativamente dos curtas de graduação a cada ano, e assim acabou fazendo parte da história de uma geração inteira de novos cineastas. Nosso último trabalho juntos foi o longa-metragem do fronteiras do Pensamento, Caixa Preta, dirigido pela Tatiana Nequete e o Fred Pinto. Nele, o João precisava interpretar um personagem que saía de uma situação de melancolia, atravessava o riso intenso e acabava em uma explosão de raiva. Ele fez isso com a tranquilidade de que sabia que, na vida, essas travessias acontecem como num plano sequência. As imagens ficam pra contar.
 
Entusiasta do novo cinema gaúcho, no ano de 2013, João França foi escolhido como Melhor Ator, no Festival de Cinema de Gramado, pelo curta universitário O Matador de Bagé. Recentemente, João França participou dos longas A Superfície da Sombra, de Paulo Nascimento (2018), Em 97 era Assim (2018) e Legalidade (2019), de Zeca Brito, além da série de televisão Taxitramas, exibida pelo Prime Box Brazil no ano passado.
 
 
Assista ao curta O Matador de Bagé: