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"Costura Não Tem Lei", de Ariane Oliveira. Foto: Casa Baka/Divulgação

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23

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HORÁRIOS Sextas das 16h às 20h

Mostra "arte-advocacia" na Casa Baka

A exposição-processo artístico de Ariane Oliveira e Juliana Proenço tem inauguração neste sábado (14/3), a partir das 19h

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Neste sábado (14/3), será inaugurada na Casa Baka, a exposição-processo artístico arte-advocacia, desenvolvida por Ariane Oliveira e Juliana Proenço e contemplada pelo primeiro edital de curadoria realizado pela instituição em 2019.

O projeto articula-se em torno de instalações moldadas especificamente ao espaço expositivo, e que oferecem um comentário tragicômico sobre o sistema e as instituições jurídicas do Brasil atual e uma saída afetiva para o absurdo. O público é democraticamente convidado a interagir com as obras/reflexões propostas, modificando-as, junto com o tempo, ao longo da exibição.

Com a edição do AI-5 em dezembro de 1968, suspendeu-se a concessão de habeas corpus "nos casos de crimes políticos, contra a segurança nacional, a ordem econômica e social e a economia popular". Chama-se de advocacia-arte a atuação de advogados que, trabalhando nas brechas do vasto e (sempre) contraditório tecido legal e discursivo vigentes, propuseram soluções jurídico-criativas para pleitear a liberdade daqueles que o Estado brasileiro negava ter desaparecido. Em arte-advocacia, debruçaAmo-nos também sobre o tecido da linguagem do Direito no Brasil, em busca de soluções poético-reflexivas capazes de despir, mesmo fugazmente, o sistema jurídico de sua kafkiana abstração, de sua pompa visual e cenográfica, capazes de engendrar violências concretamente brutais e frequentemente quase-invisíveis.

Este projeto-exposição-processo (artístico) articula-se em torno de instalações inteiramente moldadas aos espaços da Casa Baka, e forjadas por questões como: o que é uma lei? E um habeas corpus? Quem os formula? Quem os decide? Dura lex, sed lex ("a lei é dura, mas é lei"); o ditado latino, ordem de submissão, remonta a tempos imemoriais. Que material garante essa dureza? Qual é o peso da palavra-lei? Como pode a lei endurecer-se sobre corpos tão moles? Não raro, o direito destitui os corpos de sua subjetividade. “Primeiro pensei em garantir o pão, mas sem alma não se faz pão. Então fui buscar a alma para aprender a fazer o pão. Nesse caminho aprendi a fazer errado e torto. É possível dar uma alma ao direito? Que afetos são esses que não tem nome?”

Ariane Oliveira é mestranda em Poéticas Visuais pelo PPGAV/UFRGS. Graduanda em Artes Visuais pela UFRGS. Graduada em Ciências Jurídicas e Sociais pela mesma instituição. Artista e pesquisadora, trabalha com agenciamentos coletivos de afetação, através da escuta, do cuidado, da arte e do mapeamento das reivindicações por direitos fundamentais, com abordagem de gênero, pensando as mulheres como multiplicidade étnica e não-binária.

Juliana Proenço é mestranda em Artes Visuais, com ênfase em História, Teoria e Crítica de Arte, pela UFRGS. Formou-se em Direito (2014) e em História da Arte (2018), ambos pela UFRGS, e estudou Ciência Política na França (Sciences Po Rennes) entre 2012 e 2013. Realiza pesquisa nos campos de memória, política e relações com o público com ênfase na arte contemporânea.

A mostra permanece aberta para visitação do público até 23 de abril, com entrada franca.

Agendamento via casabaka.comunicacao@gmail.com ou @casabakaarteecultura
 

Sextas das 16h às 20h

Casa Baka (Rua da República, 139)

Entrada franca