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Foto: Imagem Filmes/Divullgação

"Maria e João: O Conto das Bruxas" faz releitura do clássico conto dos Irmãos Grimm

Filme estrelado pela jovem atriz Sophia Lillis, de "It: A Coisa" (2017), explora o lado mais sombrio e perturbador da história

O novo terror – que alguns críticos, na falta de um rótulo mais adequado, vêm chamando de “pós-terror” – vem injetando sangue fresco em um gênero cinematográfico tradicional e desgastado pelo tempo e pelo mau uso. Realizadores como Robert Eggers (A Bruxa e O Farol), Ari Aster (Hereditário Midsommar: O Mal Não Espera a Noite), Jordan Peele (Corra! e Nós) e a dupla brasileira Juliana Rojas e Marco Dutra (Trabalhar Cansa As Boas Maneiras) utilizam-se dos códigos e clichês do filme de horror para acrescentar temáticas e abordagens sociais, políticas, raciais e psicológicas a produções cuja vocação poderia ser o mero entretenimento. Soma-se a esse time de diretores interessados em provocar no espectador mais do que sustos o nome de Oz Perkins, que assina Maria e João: O Conto das Bruxas (2020), em cartaz a partir desta quinta-feira (20/2). Estrelado pela jovem atriz Sophia Lillis – de It: A Coisa (2017) –, o longa traz uma releitura do clássico conto dos Irmãos Grimm, explorando seu lado mais sombrio e perturbador.

Na história do filme, durante um período de escassez de comida, Maria (Sophia) e seu irmão menor, João (Sammy Leakey), são rechaçados de casa pela própria mãe e partem para a floresta em busca de alimento e sobrevivência. Apesar da ajuda de um caçador, eles acabam se perdendo na mata escura – mas, quando encontram um chalé habitado por uma misteriosa senhora (Alice Krige), acreditam estar enfim a salvo. As intenções da lúgubre anfitriã, porém, não são exatamente as mais benévolas e desinteressadas.

Maria e João aposta todas as fichas no clima: com muitas cenas filmadas por lentes grandes angulares e de baixo para cima, distorcendo a imagem, e com escassa iluminação, o longa joga o espectador desde o início dentro de uma atmosfera malsã, na qual o mal é onipresente e quase palpável. Completam na tela essa ambientação mórbida o uso criativo de recursos técnicos como a direção de arte e o figurino, a trilha sonora e o desenho de som. Já o roteiro apresenta acertos que vão além da simples reprodução dos macetes do filme de gênero – em especial, a ênfase ao protagonismo feminino: no filme, as mulheres é que sabem se conectar e interpretar a natureza, aprendendo a transformar esse vínculo telúrico em conhecimento e poder.

Ironicamente, o mérito de Maria e João acaba por também enfraquecer o filme no final: o roteiro propõe um desfecho frouxo e pouco inspirado ao enredo, quem sabe confiando em excesso no efeito até então alcançado no público, sem muita preocupação com o destino dos personagens e da história.

 

Maria e João: O Conto das Bruxas: * * * 

 

COTAÇÕES

* * * * * ótimo     * * * * muito bom     * * * bom     * * regular     * ruim

 

Assista ao trailer de Maria e João: O Conto das Bruxas: