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Três (ou mais) perguntas para Maribel Verdú

Uma das maiores artistas da Espanha, a atriz participou do 23º Festival Internacional de Cine de Punta del Este abrindo o evento com o filme policial "El Asesino de los Caprichos"

Uma das maiores artistas da Espanha, Maribel Verdú tem uma consolidada carreira no cinema, na TV e no teatro – um prestígio que levou a prefeitura de Fuenlabrada, município da região metropolitana de Madri, a batizar um teatro com seu nome em fevereiro de 2019. A talentosa e bela estrela de sucessos como Sedução (1992) – vencedor do Oscar de filme estrangeiro –, E Sua Mãe Também (2001), O Labirinto do Fauno (2006) e Branca de Neve (2012) brilhou nos primeiros dias do 23º Festival Internacional de Cine de Punta del Este, divulgando o filme espanhol El Asesino de los Caprichos. Como protagonista do thriller policial dirigido por Gerardo Herrero – que inaugurou o evento no sábado (15/2), fora de competição –, a atriz interpreta um papel bastante distinto daqueles que a celebrizaram: Maribel vive uma investigadora que tenta desvendar uma misteriosa série de assassinatos em Madri, que reproduzem teatralmente imagens das gravuras com as quais Goya criticava a moral, os costumes e os poderosos de sua época.

Ganhadora de dois Goya, o principal prêmio do cinema espanhol, Maribel Verdú conversou com o nosso site sobre as lembranças do Brasil, as escolhas de sua carreira e ainda revelou um sonho de criança: ser uma das heroínas da série As Panteras.

 

Muitos dos seus filmes foram bem recebidos no Brasil. Nossas coproduções com a Espanha, no entanto, ainda são poucas. Você tem vontade de trabalhar no Brasil? Que lembranças tem do país?

Me encantaria, mas é muito difícil por causa do idioma. É difícil colocar atores em uma coprodução que não falem português. Mas por que não colocar uma mulher espanhola que vive em Gramado, que decide romper com o passado e vai para o sul do Brasil? Digo Gramado porque estive lá há muitos anos e me encantou...

 

Que lembranças tem do Brasil?

Estive em São Paulo, no Rio e em Gramado, onde parecia que eu estava em um cenário. Parecia um lugar de conto de fadas. Adoraria voltar!

 

Você disse que escolhe seus papéis mais pela história do que pelo personagem. Que tipo de história te encanta mais?

Gosto das histórias intimistas, que falam de personagens, do que se passa na vida. Que você possa se sentir identificado com o que se passa com essas pessoas.

 

Quando você conseguiu autonomia para escolher os projetos que deseja participar?

Há muitos anos, quando alcancei uma estabilidade em que pude priorizar minha vida e não a carreira.

 

Você recebe muitos roteiros?

Sim, por sorte. Mas acho que as carreiras são feitas de “nãos”: “não, não, não”. Não tenho o poder de escolher todos os filmes que gostaria de fazer, mas posso escolher os que me interessam e podem dizer algo para as pessoas.

 

Você já trabalhou com grandes diretores. Com quais aprendeu mais?

Os mexicanos foram muito importantes para mim, tanto Guillermo del Toro (de O Labirinto do Fauno) quanto Alfonso Cuarón (de E Sua Mãe Também). Aprendi com eles coisas que utilizo todo dia, trabalhar a partir da verdade, da honestidade.

 

Já são quase cem títulos em sua filmografia, e em 2020 você completa 50 anos. Esses números redondos fazem você colocar a carreira e a vida em perspectiva? Você é saudosista?

Não, não... Por outro lado, é curioso, porque 2020 é um número redondo, faço 50, número redondo. Comecei este ano pensando que vai ser diferente, que vai ser bom. Para mim, o ano passado, por coisas pessoais, foi um ano que prefiro deixar para trás.

 

Você teve muito contato com a arte desde a infância. Fale sobre esse período.

Eu assistia a todas as séries quando era pequena. Queria ser a Jaclyn Smith em As Panteras. Estava apaixonada pela morena. O pai da minha melhor amiga era marceneiro, então eu pegava uns revólveres de madeira que ele fazia e passei a infância inteira prendendo meus tios na casa dos meus avós. Eu não sabia se queria ser detetive privada ou atriz, porque não via diferença. Quando eu era pequena, me disfarçava sempre nas festas do bairro e do colégio. Sabe como eu aprendia as lições? Colocava almofadas no sofá e me fazia de professora, dizendo os temas para elas como se fossem alunos. Minha avó dizia: “Que menina mais noveleira!”.

 

Você pode falar sobre seus próximos projetos?

Vou estrear agora o filme El Doble Más Quince (no dia 28/2, na Espanha). Na Netflix, estou com a série policial No te Puedes Esconder. Em março, começo a rodar uma série em seis capítulos (chamada Ana) para a televisão espanhola, a TVE, em que vivo uma advogada criminalista. A história é muito interessante, baseada em uma novela de um escritor que gosto muito, Roberto Santiago. Fala de algo terrível, que creio estar prejudicando muitíssima gente, muitos jovens, que é o vício da ludomania, do jogo, e se aprofunda muito nesse tema. Meu personagem decide enfrentar o cassino mais importante que existe. Imagina o quão poderosos eles são e o o mundo em que ela entra.

 

Assista a um trecho da entrevista com Maribel Verdú:

 

Confira mais um trecho do papo com a atriz espanhola: