Cartaz: Sinny Assessoria/Divulgação

"Diante dos Meus Olhos" estreia em Porto Alegre

Dirigido por André Félix, o filme retrata Os Mamíferos, que foram a maior expressão da música brasileira da qual jamais se ouviu falar

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Diante dos Meus Olhos, um filme Aurora Gordon dirigido por André Félix, estreia nesta quinta (9/1), em Porto Alegre.

Com uma mistura de jazz, rock e irreverência, na esteira dos  movimentos de contracultura da década de 60, o trio Os Mamíferos marcou época na cena musical capixaba, agregando compositores, cantores e artistas da vanguarda cultural daquele momento. Mas 50 anos após a formação do grupo, pouco se conhece sobre a banda e aquela cena cultural que culminou com o famigerado Guarapastock, ou Guaraparistock, o maior festival de música do Brasil até então, realizado em Guarapari (ES) em 1971, no auge da repressão da ditadura militar, e que terminou de forma tumultuada.

O cineasta André Félix toma essas histórias como o ponto de partida de seu primeiro longa, após ser exibido no Festival Internacional do Uruguai, no Festival Internacional de Curitiba (Olhar de Cinema), Pirenópolis Doc, Festival de Cinema de Vitória e Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul.

Para contar essa história a partir de um olhar não saudosista, André documentou os encontros com Afonso Abreu, Mario Ruy e Marco Antônio Grijó, os integrantes “oficiais” do grupo. Como a banda teve apenas quatro anos de duração, entre 66 e 70, e nunca lançou um álbum ou fez qualquer registro fonográfico oficial, o documentário se vale dos depoimentos dos músicos, imagens de arquivo, registros caseiros de ensaios e shows da época, além da criatividade do diretor. 

– O que mais me chamou atenção na história não era o que a tornava grandiosa, mas a questão do fracasso deles. Eu acho que esse é o elemento político, exatamente no momento em que nos permitimos documentar o nosso fracasso. E mexer na história da música brasileira, que é, em todos os sentidos, nosso maior bem, falar da geração dos anos 60 e 70, me encantava. Eu acredito que, quando existe uma falha, é muito mais interessante documentar do que quando tem um sucesso – revela o diretor.

Em uma abordagem autoral, o filme apresenta os personagens, seus corpos já idosos, aparentemente em rotinas diárias e banais, criando um jogo entre a ilusão da imagem e aquilo que vemos, o que estaria diante dos nossos olhos. Questiona, assim, também a mitologia que se criou ao redor da banda com o passar dos anos e o aparente anonimato. 

– A potência do filme pra mim não está em se a história foi ou não foi; se o Ney Matogrosso pintou a cara por influência deles ou não, por exemplo. Mas o que esse lance todo fez no corpo desses caras. E é por isso que o filme é Diante dos meus olhos, porque essa frase é talvez uma das mais conhecidas frases do Godard, que está no Salve-se quem puder (a vida): ‘Eu ainda não posso morrer, porque o filme da minha vida não passou diante dos meus olhos’ – reflete o diretor. 

Sinopse 

45 anos após a dissolução da banda Os Mamíferos, Marco Antônio, Afonso e Mario Ruy vivem um cotidiano simples. Em meio as luzes da cidade, recordam suas glórias e fracassos e ajudam a recuperar um fragmento fundamental da música popular brasileira. 

André Félix é diretor e roteirista. Diante dos meus olhos é seu primeiro longa-metragem. Anteriormente, foi co-roteirista de Entreturnos, de Edson Ferreira e dirigiu os curtas-metragens A Cor do Fogo e A Cor da Cinza e Valentina. É mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal da Bahia e professor. 

 

Confira o trailer de Diante dos Meus Olhos: