Editora Dublinense prepara novo livro por meio de financiamento coletivo

Organizado por Julia Dantas e Rodrigo Rosp, o livro reúne 36 autores para discutir o momento atual do Brasil

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“No momento em que a verdade nos foi tomada de assalto, nós juntamos um time de ficcionistas para roubá-la de volta.” Este é o mote do livro Fake Fiction – Contos Sobre um Brasil Onde Tudo Pode Ser Verdade, primeiro título da editora Dublinense a ser lançado por meio de um financiamento coletivo na plataforma Catarse.
Organizado por Julia Dantas e Rodrigo Rosp, o trabalho é uma coletânea com 36 autores discutindo a política recente no país e vislumbrando possíveis futuros, com alguns absurdos reais e outros apenas imaginados.
 
Entre os nomes selecionados, estão autores como Adriana Lisboa, Carlos André Moreira, Carlos Eduardo Pereira, Claudia Nina, Clarice Müller, Itamar Vieira Júnior, Luisa Geisler, Taiasmin Ohnmacht e Vitor Necchi. Os textos foram organizados em uma linha de tempo, que começa nas manifestações de 2013, passa pelo impeachment, pelo pré e pelo pós-eleições, envereda pelos dias do governo atual e imagina o que pode acontecer no Brasil dos próximos anos.
 
É um livro para marcar posição, explica a escritora Julia Dantas, uma das organizadoras da coletânea:
 
– Uma tentativa de ficar pé e dizer que não importa quantos decretos visem à censura, o retrocesso e a violência, aqui nessas páginas nós não vamos recuar nem um centímetro no pensamento, na arte e na cultura.
 
E a própria descrição do projeto evidencia esta vontade: “É papel da literatura ser um espaço de reflexão, resistência e tentativa de restabelecer no mundo algum senso de comunidade”, aponta o documento.
 
O financiamento faz ainda uma homenagem a grandes figuras históricas dos movimentos sociais brasileiros, batizando cada opção de apoio com o nome de uma personalidade, como Olga Benário, Chico Mendes, Vladimir Herzog, Dandara, Paulo Freire e Marielle Franco. No total, são 17 modalidades de financiamento e as recompensas, além do exemplar do livro, incluem ecobags, adesivos, participação em lista exclusiva de novidades, outros títulos da editora e até um kit antiódio, com livros com temáticas humanistas. É possível também fazer a doação de 20 exemplares do Fake Fiction para escolas e bibliotecas públicas.