"GIL". Foro: José Luiz Pederneiras/Divulgação

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HORÁRIOS Sábado e domingo
21h

Grupo Corpo apresenta o balé inédito "GIL"

Turnê brasileira 2019 da companhia mostra coreografia com música especialmente composta por Gilberto Gil no Teatro do Sesi no sábado (2/11) e no domingo (3/11)

Como em todas as criações do coreógrafo Rodrigo Pederneiras, os movimentos do novo balé, GIL, nasceram da música. Mas a trilha engendrada por Gilberto Gil para o novo espetáculo do Grupo Corpo, a convite do diretor artístico Paulo Pederneiras, chegou trazendo um paradoxal desafio ao coreógrafo: ali estavam, juntos e indissociáveis, o conhecido e amado Gilberto Gil – e um compositor inteiramente novo.

– Era um Gil que eu não conhecia e, ao mesmo tempo, o Gil de quem sou tiete desde que ouvi sua música pela primeira vez – diz Rodrigo.

A solução do paradoxo – fenomenal síntese – subiu à cena em 7 de agosto, estreia nacional do novo espetáculo no Teatro Alfa, em São Paulo, seguindo para Belo Horizonte, Rio de Janeiro e finalmente chega a Porto Alegre para uma curta temporada no Teatro do Sesi, no sábado (2/11) e no domingo (3/11), às 21h

A fagulha inicial para erguer a coreografia veio de fora da música – um gesto inicial, buscado no candomblé.

– Gil é filho de Xangô, e usei como ponto de partida o movimento associado à presença do orixá: uma das mãos do bailarino bate no peito e a outra, nas costas. E assim o balé começou a se construir – conta o coreógrafo.

A "riquíssima trilha", nas palavras de Rodrigo, se traduziu nos duos, trios e conjuntos que se alinham e desarmam, nos uníssonos e contrapontos gestuais, peças sempre renovadas do vocabulário marcante do coreógrafo. Mas GIL não tem o clássico momento do pas-de-deux:

– A trilha não traz o tradicional adágio, a parte mais lenta da música, onde frequentemente está o pas-de-deux.

Curiosamente, a única criação de Rodrigo que também não tem o clássico dueto é Sete ou Oito Peças para um Ballet, o programa complementar.

As muitas singularidades de GIL, a bem da verdade, já haviam começado na proposta de Paulo Pederneiras ao compositor. 

– Gil sempre esteve no nosso radar. Na primeira conversa, já me veio a ideia de sugerir que a coreografia se chamasse GIL. Normalmente o músico tem liberdade total, e agora não foi diferente, mas a sugestão que se debruçasse sobre a própria obra se consolidou naquele momento. E GIL se inscreve, então, entre os compositores que dão nome a coreografias do Grupo Corpo. Já tínhamos feito essa homenagem a Bach, Nazareth e Lecuona – diz o diretor artístico.

– Recebi o convite do Grupo Corpo com alegria mas também com certa preocupação na medida em que a ideia era a de denominar a peça GIL, concentrar a criação no trabalho, que tem muitas influências baianas, do samba, da música pop em geral – conta o compositor, que enxerga no arco da trilha de 40 minutos quatro temáticas, ou ambientes musicais: a de um choro instrumental, uma abordagem camerística (com inspiração "em Brahms ou Satie", aponta ele), um terceiro momento de liberdade improvisadora e, finalmente, uma construção abstrata baseada em figuras geométricas.

– Círculo, triângulo, retângulo, pentágono, a volta ao círculo e finalmente a dissolução numa linha reta – explica Gilberto Gil. 

Assim, a trilha de GIL também foge do habitual encaminhamento para o fim: "em vez de um ápice, temos quase um fade out, um ralentando", descreve Rodrigo. O fechamento da trilha traz ainda um poema concreto recitado por Gil, onde as cinco letras de CORPO se desdobram em CRAVO, CEDRO, FLORA, PALCO, PERNA, BRAÇO, PEDRA.

 

PROGRAMA 

Sete ou Oito Peças para um Ballet [1994]

Coreografia Rodrigo Pederneiras • Música Philip Glass e Uakti

Cenografia Fernando Velloso • Figurino Freusa Zechmeister

Iluminação Paulo Pederneiras

Duração: 40 minutos

 

Intervalo [20 minutos]

 

GIL [estreia]

Coreografia Rodrigo Pederneiras • Música Gilberto Gil 

Cenografia Paulo Pederneiras • Figurino Freusa Zechmeister 

Iluminação Paulo Pederneiras e Gabriel Pederneiras

Duração: 40 minutos

Classificação indicativa: livre

 

Sábado e domingo, 21h

Teatro do Sesi (Av. Assis Brasil, 8787 – Sarandi, Porto Alegre – fone 3347-8787)