Foto: Pedro Antonio Heinrich/Divulgação

ONG Doutorzinhos busca novos voluntários

Os doutores-palhaços atuam na humanização do ambiente hospitalar em 13 hospitais de Porto Alegre

Quando o tratamento vem em doses de alegria, injeções de humor, aplicações de carinho e pílulas de atenção. O trabalho realizado pela ONG Doutorzinhos, desde 2006, prova que a terapia do riso, por meio da arte do palhaço – com qualidade estética nas apresentações e muita responsabilidade –, aliviam o peso do ambiente hospitalar, eliminam as sensações desagradáveis e tornam o local mais humanizado.

Essa prática é reconhecida no mundo todo. Um estudo publicado pela Pediatric Anesthesia em 2010, por exemplo, investigou qual intervenção seria a mais efetiva em reduzir a ansiedade em crianças no período pré-cirúrgico. As 75 crianças – entre 5 e 12 anos – que tiveram que se submeter a cirurgias diurnas menores foram aleatoriamente designadas para o grupo Palhaços (acompanhado na sala pré-operatória pelos palhaços e por um dos pais), grupo de Pré-Medicação (pré-medicado com Midazolam e acompanhado na sala pré-operatória por um dos pais) e o grupo Controle (acompanhado apenas por um dos pais).

O grupo Palhaço foi significativamente menos ansioso durante a indução da anestesia em comparação com os demais. Houve ainda um aumento do nível de ansiedade na sala de indução em comparação à sala de espera: essa diferença foi estatisticamente considerável para os grupos Controle e Pré-medicação, enquanto não foi no grupo Palhaço.

A intervenção do Palhaço foi mais eficaz na redução da ansiedade em crianças durante o período pré-operatório, que somente a presença dos pais ou medicação isoladamente.

– Esse é um, entre tantos exemplos, do quanto nosso trabalho pode fazer a diferença, de levar amor e alegria a um dos lugares mais improváveis disso acontecer – explica Mauricio Bagarollo, fundador da ONG, que hoje conta com 74 doutores-palhaço.

Em 2018 a ONG impactou 143.640 pessoas – entre pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde –, em 13 instituições de Porto Alegre. Agora, está em busca de novos voluntários para realizar mais narigadas por aí. De acordo com Bagarollo, nesse ano o objetivo é de atender 145 mil pessoas em 1,1 mil visitas hospitalares.

As inscrições para novos voluntários acontecem de a 15 de agosto e as entrevistas serão dias 17 e 18 do mesmo mês, das 9h às 18h (de acordo com a escolha no formulário). Os candidatos precisam ter mais de 18 anos, sem a necessidade de ser da área da saúde. A ficha de inscrição está disponível na fanpage da ONG. – Buscamos pessoas com ética, compromissadas, que entendam a necessidade de se qualificar na arte do palhaço. Voluntários que tenham sensibilidade e orgulho de pertencer a uma ONG tão séria e responsável – explica o fundador.

Os selecionados passam por um curso de formação básica de 26 de agosto a 3 de outubro, com oficinas de desinibição, iniciação teatral, jogos de improviso e nascimento do palhaço. Estas são ministradas por Bagarollo e uma equipe de saúde dos hospitais parceiros, com temáticas relacionadas à humanização e infectologia.

Os voluntários devem ter um dia fixo por semana, pelo período de três horas para atuação no hospital que lhe for designado. Não recebem remuneração – visto que o trabalho é voluntário –, mas recebem material de apoio (nariz, maquiagem e jaleco) e devem participar de pelo menos um encontro de qualificação por mês.

A ONG – que em 2018 ganhou o ganhou prêmio Top Cidadania pela ABRH-RS – atua no Hospital da Criança Santo Antônio, Hospital Santa Rita, Hospital Dom Vicente Scherer, Hospital São José, Pavilhão Pereira Filho, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Hospital de Clínicas de Porto Alegre – 3º Leste - Unidade de Oncologia Pediátrica/ICI, Hospital de Pronto Socorro, Hospital São Lucas da PUCRS, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Mãe de Deus, Hospital Beneficência Portuguesa e Kinder – Centro de Integração da Criança Especial.

O projeto é aprovado pelo Ministério da Cidadania e está habilitado para receber doações e patrocínios de pessoa física e jurídica por meio de incentivo fiscal, via imposto de renda. Os recursos auxiliam no aperfeiçoamento do método clown, aumentam a área de atuação do projeto e ajudam na aquisição de figurino.