Matinal assinantes

Soledad Pinto, "Modelos para Abrir un Pasaje". Foto: Divulgação

17

JUL

01

SET
HORÁRIOS Ter a dom das 13h30min às 18h30min

Museu do Trabalho apresenta "Faltava-lhe Apenas um Defeito para ser Perfeita"

Reunindo artistas de diversas partes do Brasil, do Chile, da Turquia e França, a mostra inaugura nesta quarta-feira (17/7), às 19h

VER GALERIA

Um trecho de O Arentino (Diálogo sobre a Pintura de Lodovico Dulce, de 1557) marca a trilha desta curadoria: “Pois há pintores que fazem figuras de tal forma perfeitas que elas parecem falsas, com os cabelos penteados com tanto cuidado, que nem sequer um [fio] está fora do lugar. O que é vício e não virtude, porque cai na afetação, que priva qualquer coisa de graça. Por isto o judicioso Petrarca, falando sobre os cabelos de sua Laura, chamou-os de ‘Desalinhados com arte’.”

Com curadoria de Ío, Faltava-lhe Apenas um Defeito para ser Perfeita (frase de Karl Krauss) inaugura nesta quarta (17/7), às 19h, no Museu do Trabalho. É uma exposição sobre a sombra da beleza – o delicado limiar onde a beleza se corrompe, quando as coisas são deslocadas de seu lugar e função. Mas esta destruição é entendida aqui como uma entidade positiva, que transforma e desvela a obscuridade aninhada no fulgor da beleza e a renova. Portanto, as pulsões que movem as obras são a vertigem, o prazer da destruição, a disposição de questionar tabus do corpo, de ironizar e proclamar a necessidade das utopias, de brincar com a dor e refletir sobre os arranjos das relações afetivas nos objetos banais.

Esta mostra é movida pela beleza – palavra que parece gerar certo desconforto hodiernamente, mas cuja definição se refere à lógica, no sentido de logos, que anima e unifica as coisas, como a intuição de uma escorregadia totalidade da qual percebemos fragmentos. Assim, reconhecemos a beleza no movimento de um leopardo prestes a destroçar sua presa, na difusão exponencial de um vírus ou em um anunciado colapso institucional. A eternidade da beleza advém de sua capacidade de se alimentar de seu movimento interno, seus ciclos entrópicos (como o magnetismo que emana dos movimentos do núcleo da Terra). Destes, duas forças reincidentes permeiam a exposição: a expansão e a concentração.

Participam da mostra: Andressa Cantergiani (RS – Brasil), Anne-Valérie Gasc (França), Burcu Yağcıoğlu (Turquia), Gabriela Mureb (RJ – Brasil), Jéssica Becker (RS – Brasil), Letícia Lopes (RS – Brasil), Mariah Philippe (SC – Brasil), Raquel Nava & Mayra Miranda (DF – Brasil), Roseli Nery (RS – Brasil) e Soledad Pinto (Chile).

A exposição permanece aberta ao público até 1º de setembro, com entrada franca.

Ter a dom das 13h30min às 18h30min

Museu do Trabalho (Rua dos Andradas, 230)

Entrada franca