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Foto: Gilberto Perin/Divulgação

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HORÁRIOS Seg a sex das 8h30min às 11h30min
e das 14h às 18h

Bagé recebe exposição de gravuras da artista Zoravia Bettiol

Nesta quarta-feira (3/7), às 18h, o Espaço Cultural do Museu Dom Diogo de Souza inaugura a exposição "A Xilogravura de Zoravia Bettiol: Restauração, Impressão e Visibilidade"

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Será inaugurada nesta quarta (3/7), às 18h, no Espaço Cultural do Museu Dom Diogo de Souza, em Bagé, a exposição A Xilogravura de Zoravia Bettiol: Restauração, Impressão e Visibilidade, que traz 40 obras em complementação de tiragem e reimpressões. As gravuras – inspiradas na literatura, na mitologia e na história – compõem um amplo painel do universo cultural, social, político, afetivo e intelectual vivenciado pela artista visual, que completa 84 anos em 2019.

A gravura é uma das mais significativas expressões da obra de Zoravia Bettiol, artista multimídia que se expressa também por meio da pintura, do desenho, da arte têxtil, do design, de instalações e de performances. As obras em exposição fazem parte de nove das treze séries temáticas criadas por Zoravia ao longo de sua profícua carreira: Primavera (1964), Namorados (1965), Gênesis (1966), Circo (1967), Romeu e Julieta (1970), Iemanjá (1973), Deuses Olímpicos (1976), Kafka (1977), Os Sete Pecados Capitais (1987).

Para o jornalista, crítico, curador e professor Eduardo Veras, a apresentação dessas estampas quase perdidas funciona também como uma síntese retrospectiva da produção xilográfica de Zoravia Bettiol: "As 40 gravuras que agora vêm a público trazem consigo, portanto, as marcas de pelo menos duas épocas distintas, combinadas sobre a mesma superfície de papel: a de sua concepção original e a de sua reconfiguração como obra".

Zoravia Augusta Bettiol nasceu em Porto Alegre, em dezembro de 1935, em uma família de ascendência italiana e sueca. Estudou no antigo Instituto de Belas Artes, formando-se em pintura em 1955.

As primeiras xilogravuras da artista remontam a 1956, quando ela começou a frequentar o ateliê de Vasco Prado – com quem dividiria parte considerável da vida artística e afetiva. Zoravia começou a produzir em um inspirado momento da história da xilogravura brasileira que fez surgir grandes mestres gravadores no Brasil e no Rio Grande do Sul – onde foram criados o Clube de Gravura de Porto Alegre e o Grupo de Bagé, nos anos 1950.

Em 1959, produziu sua primeira série nessa técnica, A Salamanca do Jarau, inspirada no conto homônimo de Simões Lopes Neto. Ao longo das décadas seguintes, consolidou uma admirável trajetória como gravadora, com dezenas de exposições no Brasil e no Exterior.

Ainda cedo conquistou prêmios importantes, expôs na 6ª Bienal de São Paulo, em 1961, e obteve largo reconhecimento nacional e internacional, com participações, por exemplo, em bienais e exposições coletivas em Cracóvia, na Polônia (1974), ou em Liubliana, na antiga Iugoslávia (1987).

Foram nove séries diferentes com matrizes de madeira, entre 1965 e 1987, exercitando a verve de ilustradora e contadora de histórias –do lirismo nostálgico do trabalho circense ao peso sombrio do universo kafkiano. Adiante, Zoravia migrou para a serigrafia e passeou por meios sempre diversos, pulando de um ao outro ou justapondo-os. A xilogravura mantém-se como uma das referências maiores de seu percurso inventivo: momento de experimentação e excelência em criação visual.

A mostra permanece aberta ao público até 30 de julho, com entrada franca.

Seg a sex das 8h30min às 11h30min, e das 14h às 18h

Museu Dom Diogo de Souza (Rua Emílio Guilayn, 2017-2061 – São Jorge | Bagé)

Entrada franca