Sarau Voador para Elis Regina

A cantora será a homenageada do evento na edição "Esperança Equilibrista", que rola neste domingo (9/6), às 20h30min, no Bar do Nito

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A atriz Deborah Finocchiaro e o jornalista Roger Lerina retomam o Sarau Voador nesta domingo (9/6) homenageando Elis Regina (1945 – 1982). Com o tema Esperança Equilibrista, a dupla recebe a atriz e jornalista Laura Medina e a cantora Camila Lopez em um tributo à Pimentinha. O artista visual Alexandre Carvalho fará pintura ao vivo durante o evento, que rola no Bar do Nito, às 20h30min.

Laura Medina é atriz, jornalista, apresentadora de TV e especialista em saúde e bem-estar. Trabalhou na TVE como atriz, produtora, repórter e editora. Na RBS TV, atuou nas editorias dos programas Ecologia, Jornal do Almoço, Patrola e, nos últimos 12 anos, comandou o programa Vida e Saúde. Hoje está a frente do Mais Saudável com Laura Medina na Band RS. Também é publisher no YouTube e Facebook do canal que leva o mesmo nome: Mais Saudável com Laura Medina.

Camila Lopez é cantora e líder de Camila Lopez e O Arrastão, espetáculo em homenagem à Elis Regina, passando por cada fase da cantora, desde sua primeira apresentação na televisão até suas últimas gravações. Além dos grandes sucessos, o repertório conta ainda com as músicas que trazem à tona o atual sentimento pelo Brasil.

Elis Regina nasceu em Porto Alegre, na Vila do IAPI, no dia 17 de março de 1945. Aos 11 anos fez sua primeira apresentação, cantando no Programa do Guri, e, aos 16 anos, foi atrás do sucesso no Rio de Janeiro. No início dos anos 1960, tornou-se a estrela do Beco das Garrafas, ponto de encontro da boemia carioca na época. Lá, ela conheceu Luís Carlos Miele e Ronaldo Bôscoli, produtores com quem firmaria uma longa parceria.

Mas foi em São Paulo que Elis estourou. Em 1965 consagrou-se como a grande revelação do primeiro Festival Nacional de Música Popular Brasileira, produzido pela TV Excelsior, com Arrastão, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes.

No ano de 1969, em viagem à Holanda, Elis deu uma entrevista que mudaria sua vida. Aos repórteres europeus, disse que o Brasil estava sendo governado por gorilas – o país estava em plena ditadura na época. Estava de cansada com a falta de liberdade no país. A partir disto, ela passou a ser mais do que uma grande pedra no sapato da ditadura. De volta ao Brasil, pagou pelas palavras ditas. Foi forçada pelos militares a apresentar-se nas Olimpíadas do Exército e, por conta desse episódio, a cantora foi rechaçada pelo jornal O Pasquim e passou a ser vaiada nos shows.

O cartunista Henfil foi o responsável pela duríssima crítica, mas Elis resolveu surpreendê-lo positivamente com canção O Bêbado e a Equilibrista (João Bosco). A cantora homenageou diversos exilados políticos, incluindo o sociólogo Betinho, que era irmão de Henfil. Existem documentos assinados por juntas militares que comprovam que Elis Regina foi investigada, interrogada e torturada durante a ditadura por suas declarações. Mesmo assim, nunca baixou a guarda.

"Pimentinha", apelido que recebeu de Vinicius de Moraes, iniciou uma ruptura com a indústria fonográfica. Queria ter mais liberdade criativa e apostar em compositores desconhecidos. O sucesso das músicas Como Nossos Pais e Romaria alavancaram a carreira de Belchior e Renato Teixeira respectivamente.

Na década de 1970, iniciou uma amizade inesperada com Rita Lee, de quem não gostava na época dos festivais de música. Em 1976, Elis visitou Rita na prisão e ameaçou chamar toda a imprensa caso a amiga não fosse solta. Os direitos trabalhistas dos músicos brasileiros eram preocupação permanente de Elis Regina. Em 1978, criou a Associação de Músicos e Intérpretes (ASSIM), na tentativa de reparar músicos do que considerava uma grande injustiça: ao gravar discos, instrumentistas eram obrigados a abrir mão de seus direitos conexos. Essa era Elis. 

Domingo 20h30min

Bar do Nito (Avenida Coronel Lucas de Oliveira, 105)

R$ 30